Governo de Rondônia
Governo de Rondônia

A Covid-19 se espalhou pelo mundo e já matou quase 2 milhões de pessoas. O Brasil foi um dos países mais atingidos. O Amazonas confirmou mais 136 óbitos na última quinta-feira (28) por Covid e um total de mortes sobe para 7.560. Entretanto, lidar com a perda de um ente querido não é tarefa fácil e o problema ocorre quando essa fase natural se torna mais difícil que o habitual.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou que a pandemia da Covid-19 pode aumentar os fatores de risco para suicídio, incitando as pessoas a falarem abertamente e de forma responsável sobre o assunto. A ideia é que, mesmo com o distanciamento físico, as pessoas permaneçam conectadas com familiares e amigos e aprendam a identificar os sinais de alerta. E por conta disso, o EM TEMPO conversou com psicólogos voluntários, que estão atendendo os amazonenses neste período de isolamento social e destacou os principais temas que levaram os amazonenses a pedirem ajuda na pandemia, como o “luto prolongado”.

“Perder um familiar é uma dor que não tem dimensão. Cada um pode senti-la de forma devastadora. E ter que imaginar a sua vida sem a presença do seu ente querido, pode acarretar em um sofrimento inimaginável. A pessoa sente um vazio tão grande, que não encontra motivos ou forças para continuar a viver. Mas tudo isso, faz parte do processo do luto: para superá-lo é necessário atravessá-lo, e esse atravessamento requer sentir, chorar, ressignificar essa dor da perda, sentir a saudade que só aumenta e a falta que a pessoa faz”, diz a psicóloga Giselle Melo, que atendeu os amazonenses pelo projeto voluntário da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Oliveira Atacarejo

Para a psicóloga Luanna Cunha, que faz parte do projeto Rede Positiva de Acolhimento, acolher rápido ajuda o paciente na elaboração da perda (luto) dando recursos ao mesmo para vivenciar as fases do luto de forma consciente (fases do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). “Tem sido importante ajudar os pacientes a entender o que estava ou não no seu controle e a buscar estratégias e recursos e propósitos para seguir”.

Giselle explica que quando o processo de luto se prolonga e a pessoa demonstra não ter superado o sofrimento, não consegue retomar a sua vida, manifesta querer estar junto com o ente querido, além de expressar não querer continuar a viver, pois a vida não faz mais sentido para ela. Este é um sinal de alerta e essa pessoa precisa de cuidado urgente.

Medo e ansiedade

A psicóloga Giselle Melo conta que vários motivos fizeram com que as pessoas chegassem até ela, mas os mais marcantes foram  as crises de ansiedade, o medo de se contaminar, o medo de morrer e as perdas de entes queridos. “Além de demandas em saber como será depois e quando tudo isso irá acabar e se voltaremos à nossa vida como antes. Houve queixas também de pessoas que foram infectadas pela Covid-19, e que tiveram crises de ansiedade, sentindo dificuldades em retomar a sua vida, como se a qualquer momento pudessem vir a falecer”, revelou.

Impotência

Luanna Cunha conta que o projeto tem três frentes de atuação: profissionais de saúde, profissionais de Rh e parentes de vítimas da covid.

”As principais queixas estão relacionadas a medo, impotência, esgotamento mental, ausência de controle e luto. Estamos vendo crescer entre a demanda pacientes acometidos pela Covid-19 que apresentam crise de ansiedade forte, em virtude do nosso cenário local de impossibilidade de assistência médica o que, na maioria das vezes, agrava o quadro geral do paciente”, revelou.

Hiperconvivência

Em maior ou menor grau, famílias em todo o mundo estão passando muito mais tempo juntas em tempos de coronavírus.

“Em  um contexto crítico como a pandemia, tudo muda: foi necessário conviver intensamente, administrar todas essas mudanças, experimentar o estresse, o desconhecido, a sensação de não saber como será o amanhã, sem um tempo adequado para se adaptar a essas mudanças. Tudo aconteceu de forma intensa e repentina”, revelou Melo.

Giselle sugeriu que as pessoas mantivessem e adequassem a sua própria rotina considerando as limitações do momento. Além de tentar entender e aceitar que este é um momento delicado e bastante angustiante para todos, e que neste momento foi necessário adotar esses novos hábitos. Mas sempre na busca de promover no ambiente familiar o diálogo, a paciência e o respeito. Também é importante dedicar um tempo para si próprio, cuidar da saúde mental e das relações.

 Desemprego

O desemprego e a situação econômica são pontos que impactaram a vida de todos os amazonenses, de forma geral. E isso refletiu também na saúde mental das pessoas, pois infelizmente muitas pessoas perderam seus empregos, sua fonte de renda foi afetada, e como fazer?

“Quando se tem família para prover o sustento, arcar com os compromissos, contas, aluguel, dívidas, pois ninguém estava esperando por uma situação como essa. Tudo está instável, e isso contribuiu também para o aumento dos transtornos mentais. A estabilidade e a qualidade de vida das pessoas foram comprometidas”, revelou Giselle

Vacina

Toda notícia que surge pode funcionar como um fator desencadeante para a ansiedade. “Algumas pessoas sentem-se ansiosas por não saberem de fato que devem ou não tomar a vacina, além da incerteza dos prováveis efeitos colaterais e sobre a sua eficácia foram alguns dos temores que as pessoas trouxeram. Houve também pessoas que estão bastante ansiosas para serem imunizadas e poderem se sentir um pouco mais aliviadas”.

Transtorno mental

“Houve a intensificação do sofrimento psíquico, pois tudo tornou-se instável, imprevisível e isso afetou a vida das pessoas que já sofriam com algum tipo de transtorno mental”, explica Giselle.

 Solução

A psicóloga Luanna Cunha destacou alguns pontos para ajudar durante a pandemia:

– Manter os itens de segurança relacionados à covid (essencial em qualquer cenário)

– Trabalhar com dados e fatos para distinguir o que é real do que é fantasia e diminuir a ansiedade

– Trabalhar exercícios de respiração

– Selecionar o tipo, fonte e periodicidade das informações que consome

– Manter uma rotina regular de sono

– Manter uma rotina de atividades físicas

– Buscar, mesmo neste cenário, fazer atividades que o estimulem o bem estar (ouvir música, dançar ou fazer alguma atividade que gere prazer)

Fonte: REBECA MOTA/folhainterior

Comentários

Central Cell Celulares - 3451-4560