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terça-feira, abril 23, 2024
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Conheça o presídio construído em uma ilha e cercado por cachoeira em RO; quem tentava fugir morria afogado

Atualmente, o principal presídio de Porto Velho é a Penitenciária Ênio Pinheiro, localizado na zona urbana da capital de Rondônia. No entanto, cerca de 100 anos atrás o cenário era completamente diferente: os presos eram encaminhados para uma colônia penal localizada na Ilha de Santo Antônio, isolada e cercada por cachoeiras.

Por ser uma ilha cercada com cachoeiras, os prisioneiros dificilmente escapavam com vida se tentassem uma fuga pelo rio, devido à força da correnteza da água, conforme relatado pelo Centro de Documentação Histórica do Tribunal de Justiça de Rondônia.

O local que abrigava presidiários sanguinários e perigosos, é repleto de mistérios e histórias, como a lenda do “Curicão”.

Quando surgiu?

Presídio Ilha de Santo Antônio após a desocupação — Foto: MENEZES & GUSMÃO, 2005

Presídio Ilha de Santo Antônio após a desocupação — Foto: MENEZES & GUSMÃO, 2005

Um dos trabalhos que relata histórias do presídio é o “Uma engrenagem morta na memória dos vivos: uma perspectiva arqueológica da prisão da Ilha de Santo Antônio”, escrito por José Júnior de Souza Pinho como Trabalho de Conclusão de Curso da Universidade Federal de Rondônia.

Segundo relatos e documentos históricos, a história da prisão tem início com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), há mais de 100 anos.

A pesquisa aponta que a prisão foi erguida sem muros, pois não era possível fugir devido à forte correnteza. As fugas registradas, em sua maioria, aconteceram no verão, quando o rio Madeira secava o suficiente para que os presos pudessem andar pela pedras.

Indivíduo preso na cadeia de Santo Antônio em foto de Danna Merrill de 1910 — Foto:  Centro de Documentação do Estado de Rondônia/Acervo

Indivíduo preso na cadeia de Santo Antônio em foto de Danna Merrill de 1910 — Foto: Centro de Documentação do Estado de Rondônia/Acervo

De acordo com o historiador e professor Luís Henrique, o local era considerado o principal presídio desde a criação da cidade de Porto Velho em 1915.

“Durante seu funcionamento, o local abrigava os criminosos mais perigosos da cidade de Porto Velho e presos de várias cidades, estados e países”, explica o professor.

A Ilha do Santo Antônio fica localizada há 7 quilômetros do centro de Porto Velho e era cercada pela antiga cachoeira de Santo Antônio. O único acesso ao local era de barco ou por uma trilha a pé nos períodos de seca do rio.

O que aconteceu com o presídio?

Na década de 80, o presídio da ilha de Santo Antônio foi desativado e substituído pelo presídio Ênio Pinheiro. A nova penitenciária é localizada próxima à cidade e possui grandes muros e outras barreiras de proteção para evitar fugas.

Já a cachoeira de Santo Antônio “desapareceu” após construção da hidrelétrica de Santo Antônio, no leito do rio Madeira.

De acordo com pesquisas do núcleo de arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), o que restou do presídio foi suas ruínas. Atualmente o presídio da Ilha de Santo Antônio e é considerado como um sítio arqueológico da cidade de Porto Velho.

Presídio na Ilha de Santo Antônio — Foto: Centro de Documentação Histórica do Tribunal de Justiça (CDH/TJRO)

Presídio na Ilha de Santo Antônio — Foto: Centro de Documentação Histórica do Tribunal de Justiça (CDH/TJRO)

Lenda do curicão

O historiador e professor Luís também conta uma lenda sobre a ilha, que se tornou conhecida no imaginário popular dos moradores da capital, sobre um prisioneiro que também era garimpeiro, chamado “Curicão”.

Segundo a lenda popular, os presos de bom comportamento do presídio podiam ficar andando pela ilha e aproveitavam para garimpar ouro próximo no rio.

Local abrigava os criminosos mais perigosos da cidade de Porto Velho, de outras cidades, estados e países — Foto: Lúcio Albuquerque

Local abrigava os criminosos mais perigosos da cidade de Porto Velho, de outras cidades, estados e países — Foto: Lúcio Albuquerque

Curicão, no final de sua pena, ficava garimpando o ouro e guardava em um pote de vidro. Ele teria deixado o ouro enterrado na ilha e o chamado “Tesouro do Curicão” tem sido procurado há décadas, mas nunca foi encontrado.

Por Emily Costa, g1 RO

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