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domingo, julho 14, 2024
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Em RO: Ribeirinhos precisam percorrer trajeto de uma hora de barco para ter acesso à água potável

Moradores da comunidade ribeirinha Mutum, localizada no Baixo Madeira, a 50 km da zona urbana de Porto Velho, precisam percorrer mais de 1 hora de barco para encontrar e ter acesso à água potável. Com a seca extrema do rio Madeira, o trajeto pode se tornar ainda mais desafiador.

🛶As comunidades ribeirinhas em Porto Velho são divididas em três regiões: Alto, Médio e Baixo Madeira.

Severino Pantoja de Souza é um dos moradores que precisa buscar água potável em comunidades que possuem poços artesianos. Ele explica que o trajeto de barco dura, em média, mais de uma hora e que realiza esse percurso três vezes por semana.

Severino Pantoja de Souza é um dos moradores que precisa buscar água potável em outras comunidades — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Severino Pantoja de Souza é um dos moradores que precisa buscar água potável em outras comunidades — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

“Eu trago 50 litros de água em cada viagem, mas não dura a semana toda. A gente faz esse trajeto umas três vezes por semana e, às vezes, até todo dia, porque usamos a água para beber e fazer comida”, explica.

Severino Nobre, líder da comunidade Mutum, conta que nenhum morador possui poço artesiano ou outra fonte de água potável. Além disso, não é possível utilizar a água do rio Madeira devido à poluição: a única solução é procurar comunidades que possuem abastecimento.

Em alguns casos, ribeirinhos acabam utilizando a água do rio para beber e realizar suas tarefas de casa, por não terem transporte para realizar o trajeto, segundo o líder da comunidade.

“A maioria dos moradores pegam seus barcos e vão até Mutum Grande, uma comunidade do outro lado do rio, para buscar água dos poços artesianos que eles tem, que podem secar com essa seca”, conta.

Seca deve afetar a navegação no rio Madeira em Rondônia — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Seca deve afetar a navegação no rio Madeira em Rondônia — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Durante o período de extrema seca em Rondônia (agosto e setembro) o lençol freático baixa, impactando a quantidade e a qualidade da água desses poços. Em 2023, mais de 15 mil famílias ribeirinhas viram sua única fonte de água limpa secar e ficaram desabastecidas.

Outra dificuldade neste período é a navegação, em razão dos bancos de areia e pedras que surgem no rio, tornando o percusso ainda mais perigoso e desafiador.

Seca extrema em Rondônia

Há menos de um ano da seca histórica que deixou milhares de ribeirinhos sem água e paralisou operações de uma das maiores hidrelétricas do Brasil, o rio Madeira já registra níveis abaixo do esperado para a época do ano, em Porto Velho. Em 15 dias, o afluente reduziu quase 3 metros.

No início do mês de julho, o governo de Rondônia publicou um decreto onde declara emergência em razão do período ‘”crítico” de estiagem enfrentado no estado. Isso porque as previsões indicam baixos níveis pluviométricos prolongados no estado em virtude do fenômeno El Niño. O documento também aponta uma diminuição significativa nos níveis dos rios.

A Prefeitura de Porto Velho também declarou emergência por conta do que foi classificado como “cenário de extrema seca” na cidade.

Régua de medição do rio Madeira, em Porto Velho — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Régua de medição do rio Madeira, em Porto Velho — Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), no dia 25 de Junho a cidade de Porto Velho completou um mês sem registro de chuva. Os moradores enfrentam altas temperaturas e tempo seco.

Em 2023, o rio Madeira chegou ao menor nível já registrado na história. Bancos de areia e montanhas de pedras surgiram onde antes era possível enxergar somente água. Desde então, especialistas já previam uma seca ainda mais extrema no estado em 2024.

Rio Madeira, em junho de 2024 — Foto: Reprodução

Rio Madeira, em junho de 2024 — Foto: Reprodução

Por Marcelo Moreira, Rede Amazônica

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