Quase dez meses após o acidente que destruiu sua família e comoveu Rondônia, Bruna Martins compartilhou um um dos relatos mais emocionantes desde a tragédia que tirou a vida de seus dois filhos e dos avós que a criaram como filha.
Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (2), Bruna abriu o coração e revelou que, apesar do tempo transcorrido, continua convivendo diariamente com a dor da perda, os traumas psicológicos e as lembranças dos últimos momentos vividos ao lado das pessoas que mais amava.
Na legenda da publicação, ela descreveu o sentimento que a acompanha desde aquele dia.
“Eu nem sei explicar como 10 meses podem parecer uma vida inteira e, ao mesmo tempo, parecer que foi ontem.
Tem gente que olha para mim e vê alguém seguindo em frente. Mas ninguém vê as conversas que eu ainda tenho em silêncio, as lembranças que me visitam do nada, a saudade que aperta.”
Bruna também lembrou que há dez meses precisou se despedir dos filhos e dos avós da forma mais dolorosa possível.
“Às vezes me pego pensando em como a vida pode mudar em questão de segundos. Eu sinto falta. Uma falta imensa. Daquelas que nenhuma palavra consegue explicar. Meus filhos, meus avós. Eu amo vocês.”
O ACIDENTE QUE MARCOU RONDÔNIA
A tragédia aconteceu na manhã de 2 de agosto de 2025, na BR-364, entre os municípios de Jaru e Ouro Preto do Oeste.
Na ocasião, o veículo em que a família viajava colidiu frontalmente com uma carreta em um trecho da rodovia conhecido por registrar diversos acidentes graves.
A colisão matou quatro integrantes da mesma família:
- Maria Vitória Pereira dos Santos, de 8 anos;
- Antôni com e apenas 6 meses;
- Maria dos Anjos Pereira, de 62 anos;
- Elzi Pereira, de 69 anos.
Bruna foi a única sobrevivente.
Os avós haviam ido buscá-la durante as férias escolares e estavam retornando para Seringueiras quando ocorreu a colisão que mudaria para sempre a história da família.
“EU LEMBRO DE TUDO”
Durante o depoimento, Bruna contou que nunca havia conseguido gravar um testemunho completo sobre o que aconteceu.
Segundo ela, o assunto continua sendo extremamente delicado e doloroso.
Emocionada, relembrou que havia passado as férias com os filhos no sítio dos avós e que poucos dias antes da tragédia a filha Maria Vitória havia comemorado o aniversário de oito anos. O filho mais novo, Antônio, tinha completado seis meses apenas dois dias antes do acidente.
Ao falar sobre aquele sábado, Bruna revelou algo que impressionou milhares de pessoas que assistiram ao vídeo: ela afirma se lembrar de todos os momentos da tragédia.
“Eu lembro de tudo. Eu lembro dos rostos. Eu lembro da carreta vindo. Eu lembro do meu avô ultrapassando. Eu lembro que viu que não ia dar tempo. Eu lembro como se fosse em câmera lenta.”
A sobrevivente também relatou que guarda na memória os últimos instantes ao lado dos familiares e que as lembranças continuam surgindo diariamente.
“Tudo relembra. Tudo machuca. Tudo me destrói.”
RECUPERAÇÃO FÍSICA E FERIDAS EMOCIONAIS
Além da dor da perda, Bruna precisou enfrentar um longo processo de recuperação física.
Ela sofreu três fraturas na bacia, lesões nas costelas e ferimentos na cabeça. Após ser socorrida, passou por diferentes unidades hospitalares até ser submetida a cirurgias e iniciar um extenso tratamento de reabilitação.
Meses depois, ela emocionou Rondônia ao publicar imagens dando seus primeiros passos durante as sessões de fisioterapia.
Mas, segundo o relato mais recente, as cicatrizes emocionais continuam sendo as mais difíceis de superar.
Bruna revelou que desenvolveu crises de ansiedade e pânico relacionadas a viagens em rodovias.
Ela contou que sente falta de ar ao ver carretas e que frequentemente revive mentalmente os momentos do acidente.
“Eu criei muito pânico de BR. Tenho muita ansiedade com isso. Quando vejo carretas passando, aquilo me causa muito mal. Vêm os flashbacks. Eu lembro de tudo.”
UMA DOR QUE SEGUE PRESENTE
Apesar de compartilhar momentos de fé e superação nas redes sociais, Bruna afirmou que a realidade longe das câmeras é diferente daquela que muitas pessoas imaginam.
Segundo ela, a saudade dos filhos e dos avós continua presente todos os dias.
Ao se aproximar a marca de um ano da tragédia, datas como aniversários, lembranças familiares e momentos simples da rotina se transformam em gatilhos emocionais que fazem reviver a dor da perda.
Mesmo assim, a jovem segue tentando reconstruir a própria vida enquanto carrega a memória daqueles que partiram.
Para milhares de rondonienses que acompanharam o caso desde o início, o relato de Bruna é um retrato da dimensão humana deixada por uma tragédia que ultrapassou as estatísticas e marcou profundamente uma família inteira.
Fonte: Jornal Rondônia




