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segunda-feira, fevereiro 26, 2024
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Candiru: conheça mitos e verdades por trás do ‘peixe-vampiro’ que penetra orifícios do corpo humano

O candiru, conhecido como “peixe-vampiro”, é temido por banhistas da Amazônia pela sua capacidade de entrar em orifícios do corpo humano, como o pênis. Mas sabia que não são todos os candirus que possuem esse comportamento? E o que atrai esse animal até o corpo humano?

O g1conversou com o pesquisador e especialista em diversidade e biogeografia de peixes de água doce, Fernando Dagosta, que explicou um pouco sobre o comportamentos desses animais.

Um entre tantos

Primeiro é importante entender que existem várias espécies de candirus: alguns deles são “carniceiros” (se alimentam da carne de outros peixes) e os outros são apenas hematófagos (se contentam apenas com o sangue).

“Os candirus verdadeiros [hematófogos] não são animais que têm preferência por alguma espécie específica. Então o candiru ataca praticamente quase todo tipo de peixe que tenha sangue o suficiente pra ele conseguir se nutrir”, explica Fernando.

Candiru alimentado de sangue - Paracanthopoma parva — Foto: Fernando Dagosta

Candiru alimentado de sangue – Paracanthopoma parva — Foto: Fernando Dagosta

E complementa: “os candirus hematofágos funcionam, ecologicamente, como se fossem pernilongos: se alimentam do sangue do hospedeiro e vão embora. O pernilongo não fica grudado na gente todo tempo; ele vem, pica e vai embora. É a mesma coisa que o candiru faz no peixe”.

Pelo comportamento de se alimentar de outros animais, o candiru é considerado um parasita. Na pesca, sobretudo nos rios da Amazônia, não é incomum que se pesque um peixe e ele venha com um candiru de brinde grudado nas brânquias do hospedeiro.

O candiru se atrai pela urina?

Depois de ter conhecimento das diferentes espécies de candirus, é importante entender que somente os hematófagos têm o comportamento de entrar nos canais da uretra de humanos. Mas o que atrai esse peixe até lá?

Popularmente, existe a teoria de que o candiru é atraído pelo odor da urina. No entanto, segundo Dagosta, não existe comprovação científica de que isso realmente aconteça.

Em uma pesquisa feita em 2001, pesquisadores brasileiros e norte-americanos da Universidade de Connecticut (The University of Connecticut at Avery Point, em inglês) e do Instituto Nacional de Pesquisas de Amazônia fizeram um estudo para analisar o comportamento do candiru hematófago. O artigo foi publicado no jornal acadêmico Biologia Ambiental de Peixes (Environmental Biology of Fishes, em inglês).

“Em um ambiente controlado, que era um aquário, eles colocaram os candirus e observaram as respostas de acordo com substâncias que eles colocavam nesse aquário. Então eles colocaram, por exemplo, amônia, aminoácidos, muco de peixe, urina humana… em nenhum dos casos eles obtiveram respostas significativas de forma estatística que possam indicar que o candiru se atraia por alguma dessas coisas”, explica Dagosta.

No entanto, o pesquisador esclarece que a pesquisa foi feita em ambiente controlado e o comportamento do candiru nos rios pode se diferenciar do que foi observado.

Então o candiru é atraído por urina? Cientificamente não existe evidência de que isso aconteça. Por outro lado, a gente sabe que pelas brânquias dos peixes, eles eliminam amônia, que é um composto que tem nitrogênio em sua forma. Os candirus verdadeiros precisam entrar nas brânquias dos peixes para chupar o sangue. É possível que eles utilizem a amônia como um indicador de onde estão as brânquias. Então se uma pessoa está fazendo xixi – e os seres humanos não excretam amônia, mas excretam ureia, que também tem o nitrogênio em sua forma – então existe a possibilidade de que o candiru entre na uretra por confundirem o cheiro da amônia com o da ureia. Isso é só uma suposição, porque cientificamente não foi comprovado”.

Visão espetacular

Paracanthopoma truculenta, espécie de candiru — Foto: Estudo de Fernando Cesar Paiva Dagosta e Mário de Pinna/Reprodução

Paracanthopoma truculenta, espécie de candiru — Foto: Estudo de Fernando Cesar Paiva Dagosta e Mário de Pinna/Reprodução

De acordo com Dagosta e a pesquisa feita na Universidade pública em Groton, uma característica cientificamente comprovado sobre o candirus é que eles possuem uma visão muito boa. Isso também pode ser uma explicação de como eles enxergam humanos como “vítimas”.

“Os pesquisadores descobriram que o candiru responde visualmente aos estímulos no sentido de que quando eles colocavam um peixinho dentro do aquário com os candirus verdadeiros, os candirus eles olhavam esse peixinho e iam em direção a ele: o que significa que os candirus enxergam muito bem. Então tá confirmado cientificamente que os candirus são atraídos visualmente por objetos. Então se uma pessoa entrou na água, os candirus podem ser atraídos por ter um corpo grande perto deles e eles vão até as pessoas”, teoriza Fernando.

Por Jaíne Quele Cruz, g1 RO

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